Meus caros,
Dizem que o tempo ensina. Que a vida ensina.
Minha mãe sempre me dizia para eu tomar cuidado ao escolher minhas amizades. Já o livro do “Eclesiástico” me dizia: “Sejam numerosos os que te saúdam; mas teus conselheiros, um entre mil”.
Conselho de mãe e conselho da bíblia são coisas que devem ser levadas em consideração. Por isso, vivi muito tempo com essa responsabilidade de escolher poucos e bons amigos. Selecionando, avaliando. Um trabalho árduo.
Quando, enfim, fiz meus primeiros amigos, eles me ensinaram justamente o contrário. Amigos não se escolhem. Eles é que escolhem a gente. E, não sei por qual razão, vocês me escolheram.
Mas a vida nos mete em tantas embrulhadas e desembrulhadas, que a gente acaba se afastando. Sem os amigos por perto, como remediar a solidão? Fazendo novos?
Achei absurdo. Fazer novos amigos, implicaria em substituir os antigos. Certeza eu tinha de que amigo não é como endereço, que a gente troca de acordo com a cidade.
Já dizia a raposa ao menino: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
Eu, na minha frágil decência por não abandonar meus amigos, passei a me esconder para não ser escolhido por outros.
Mas vocês me ensinaram outra lição.
Que amigo é conta de somar. É conjunto infinito. Não se faz novos amigos. Se faz mais amigos. Adiciona-se novas peças a sua galeria. Diferentes das outras, mas de igual valor.
A amizade não é ciência complicada. Fazer amigos deve ser o único dom dado em igual porção a todos os humanos. Até o mais cruel dos bandidos tem amigos.
Ter amigos é direito, não dever.
A lógica do mundo é pensar no próprio bem. A lógica da amizade é pensar no bem do outro.
E dizem que o tempo ensina. Que a vida ensina. Coisa nenhuma… Quem me ensina são vocês, meus amigos.
Obrigado por me lembrar de que ainda não sou totalmente de pedra. Obrigado por ser meu amigo. Mesmo com a distância, mesmo com a pouca convivência. Grande abraço, irmão.
Saudadinhas, cazuza!
=)
Que lindo. Mas sim, vc fez uma nova amiga. Te amo neguin!