Preciso andar.

É sobre aquela música de Cartola. Você sabe né?
Se não sabia, agora sabe.
Rir pra não chorar.
É assim que a gente é.
A gente precisa sair e só voltar quando se encontrar.
Uma hora a gente precisa.
Essa é toda precisão que existe na vida.
Em todo lugar, em algum momento, alguém vai tentar.
Mas, cê sabe que hoje me perdi: e aquela parte que deixei lá atrás?
Esse “eu” que ficou lá?
Sim, porque quando a gente vai, uma parte da gente fica.
E uma hora essa parte acaba ficando longe demais.
Uma parte que procuro. Uma parte que deixei.
É o meu paradoxo.
Como o Pinóquio não poder dizer: meu nariz vai crescer agora.
Eu preciso ir muito longe de mim pra me encontrar. Mas muito longe eu acabo me perdendo de mim.
Labirinto.
Nunca soube sair de labirintos.
Da alma, das respostas, da dor, do coração.
Você entende? Você tá ouvindo?
Eu não sei me livrar do paradoxo.
Já te falei daqueles paradoxos?
Se tirar de grão em grão, em que ponto um monte de areia deixa de ser um monte de areia?
Se cada peça do navio de Teseu foi trocada uma vez, ele ainda é o navio de Teseu ou um novo navio?
Você sacou a questão?
De mudança em mudança.
Em que ponto eu deixo de ser eu e já sou outro?
Se eu me procuro tão longe, será que estou procurando a mim ou um outro?
Olha, eu me pergunto.
Mas continuo pobre de respostas.
Pobre certezas. Pobre de afirmações.
Pobre de você.
Mas deixe-me ir, preciso andar.
Vou por aí a procurar.
A música de Cartola. Você sabe né?
Se não sabia, agora sabe.

 

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